domingo, 19 de fevereiro de 2012

Cheira a primavera!

Não longe da cena do episódio da Rua Garrett, que mencionei no post anterior, subia eu a Rua das Flores, ouço e vejo ao longe uma garota de uns dez anos, mochila às costas, certamente a caminho de casa depois das aulas. Vinha descendo a dita rua, cantarolando exuberantemente, exprimindo, sem ambiguidades, uma enorme e notória alegria e felicidade. A vozita da miúda reverberava entre os prédios, ali mesmo à saída do parque de estacionamento do Largo Camões.

Não me recordo há quanto tempo me não emocionava tanto com um acto tão simples, genuíno e espontâneo como este.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Música: um investimento de futuro


Rua Garrett, Lisboa. Foi quinta feira passada, seriam umas 17h. Um duo de violino e violoncelo fazia escalas para aquecer. Iam começar o concerto. O mendigo, sentado logo ali ao lado, fazia sinais para os transeuntes, apontava para a boca, parecia querer dizer que tinha fome.
Os músicos, impecavelmente vestidos, começaram a tocar. O mendigo, andrajoso, implorava ajuda. A música parecia acompanhar os gestos suplicantes do mendigo. Uma inusitada e súbita pareceira, ou um duro exemplo de um estranho, mas real, reality show
Ao passar, ouvi um desses transeuntes a dizer para a mulher “ao menos aqueles fazem alguma coisa de útil”. “La musica è tutta relativa,” como lembrava Sanguinetti... E Vangelis dizia numa entrevista à Al Jazeera que “aquilo que mais precisamos no nosso mundo hoje é de investir em beleza.” 

E eu aposto que, no fim da “temporada,” o mendigo vai abrir os olhos, juntar o dinheiro todo que ali obtém à custa do acompanhamento que arranjou para as suas súplicas e vai contratar um consultor em investimentos. Se for um consultor atento, vai aconselhá-o de caras a contratar o duo em permanência...