segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Lisboa, ruído a mais, ruído...

Um artigo recente do Público “Ruído na Baixa pode travar repovoamento” dava conta do atraso na aprovação do plano de pormenor da baixa pombalina pela administração central “por causa das questões relacionadas com o ruído.”
O atraso fica a dever-se ao facto de a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ter emitido um primeiro parecer sobre o plano da autarquia onde a questão do ruído é objecto de reparos. No quadro actual, a construção de novas habitações e escolas está posta em causa estando pois, assim também, em causa o desejado repovoamento do centro da cidade.
As várias medidas de condicionamento do trânsito (apontado como a fonte principal de ruído da cidade) não parecem suficientes e há zonas da Baixa onde “foram detectados níveis de ruído susceptíveis de causar danos na saúde e fortes perturbações do sono.”
Que Lisboa é uma cidade barulhenta é um facto inequívoco, susceptível de ser comprovado por qualquer um. Mas, que  “repovoamento” implica a alteração da paisagem sonora lisboeta parece também um dado inequívoco. 
Num tempo em que já se “desenha” o som dos motores dos automóveis, não me parece suficiente alterar as carreiras de alguns autocarros ou repavimentar algumas ruas. É útil, mas não é de todo suficiente. É o conceito de conforto acústico (e térmico), é a multiplicação de “santuários” de silêncio, o redesenhar dos sinais sonoros, a preservação do património sonoro da cidade e a sua divulgação e valorização, o cumprimento das normas ambientais no que respeita a ruído de vizinhança, é a humanização, enfim, da paisagem sonora lisboeta no seu todo que está em causa. É a entrada deste problema, de facto e a sério, na agenda da autarquia que se exige.
As autoridades municiapais lisboetas não levam a sério o problema do ruído da cidade. Ainda não perceberam que este problema não se resolve com medidas avulsas, de circunstância ou de fachada, e que os lisboetas valorizam mesmo um ambiente sonoro saudável. 

Já alguém escutou a voz dos lisboetas nesta matéria? Também é verdade que no meio desta barulheira ninguém ia conseguir ouvir a voz de ninguém...