sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Histórias Sonoras II

Tínhamos acabado a conversa anterior e acabáramos justamente de desligar o telemóvel. Eu tinha parado o carro num estacionamento em frente a uma esquina aqui no centro de Benavente. Qualquer coisa me suscitou a curiosidade na paisagem sonora desta minha nova terra ribatejana. Quando parei para prestar atenção ao que se passava, comecei a distinguir o som de um siringe, desses que os amoladores usam para anunciar a sua presença. Imediatamente localizei a fonte sonora.
Mas, para meu espanto, havia outro! Dois amoladores aproximavam-se, provenientes de duas ruas diferentes, sensivelmente à mesma distância da esquina onde me encontrava.
O amolador é uma espécie em vias de extinção. Consequentemente, o som do seu instrumento (o tal siringe) já praticamente se não ouve nos dias que correm. Qual será então a probabilidade de apanhar um dueto simétrico de siringes, numa esquina de Benavente, que parecia escrito por um compositor invisível neste ano de graça de 2008, alguns segundos depois de ter estado a falar sobre uma sinfonia para martelos, brocas pneumáticas, chapas de metal e coro, que parecia ter sido escrita também por um compositor invisível, a decorrer neste momento numa praça de Caldas da Rainha...?


Coincidências improváveis # 2.

Histórias sonoras I

O meu amigo Fernando Mora Ramos telefonou-me a contar que tinha tido uma invulgar experiência sonora e musical. Junto à sua casa decorrem neste momento obras de construção de um enorme complexo hoteleiro. Passada a fase das retro-escavadoras, começaram as obras de cofragem. A "orquestra" mudou. Agora os "naipes" desta nova "orquestra" são constituidos por martelos, brocas pneumáticas, chapas de ferro e, também, vozes. Num determinado momento, um acaso "sincronizou" esta orquestra improvável, produzindo um resultado, imagino eu, para-musical... 
Falámos sobre isto e eu recordei o trecho Lion Dance do histórico "Vancouver Soundscape" gravado na Chinatown de Vancouver. Foguetes misturam-se com os tambores produzindo num determinado momento uma sequência que parecia ter sido escrita por um compositor invisível. Jung era invocado pelos autores deste estudo hoje clássico.

Coincidências improváveis # 1.