sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Karlheinz Stockhausen

Quem seguir o percurso destes Fragmentos poderá pensar que estou aqui a fechar um capítulo. É possível. Acabo de saber que o compositor Karlheinz Stockhausen faleceu no passado dia 5 de Dezembro na sua casa em Kuerten-Kettenberg. Juntamente com Iannis Xenakis, John Cage e Luciano Berio foi um compositor cuja obra mantive e mantenho sempre à cabeceira, que marcou o meu próprio percurso musical. Há outros compositores que merecem figurar nesta lista (alguns deles ainda, felizmente, vivos), mas estes têm, para mim, de uma forma ou de outra. um lugar especial. Stockhausen era o sobrevivente deste lote.
Recordo o absoluto fascínio que rodeou a minha descoberta da música de Stockhausen.
Recordo o impacte que teve a minha primeira audição de, entre muitas outras obras suas, Gesang der Jüngling, Kreuzspiel, Momente, Gruppen, Carré, Kontakte, Kurzwellen, Prozession, dos Klavierstuecken, Mikrophonie (I e II). Recordo a enorme influência que teve no meu trabalho Aus den Sieben Tagen. Recordo Hymnen, Stimmung e Trans.
A propósito destas três últimas obras, recordo outros tantos momentos recentes em que tive a oportunidade de as ouvir aqui em Lisboa. Uma magnífica versão de Stimmung foi produzida pelo Sing Circle, no âmbito do Festival Musica Viva em Outubro de 2006. Hymnen, na versão banda magnética foi executada em Novembro de 2005, com a presença do próprio compositor (ver aqui uma outra nota na versão inglesa dos Fragmentos, sobre Hymnen). Algum tempo antes tínhamos tido a oportunidade de ouvir a versão de Hymnen com orquestra, dirigida por Pedro Amaral. Mais recentemente, Trans teve estreia (tardia, mas amplamente justificada) em Portugal, também sob a direcção de Pedro Amaral.

Controverso, arrojado, único, inovador, Stockhausen foi tudo isto. Mas como acabará ele por ser recordado pela história da música?